A moda está em todos os lugares e em sua maioria sem alma
- Romanchyr

- 21 de abr.
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de mai.

Recentemente assisti ao filme O diabo veste Prada e a cena marcante do Suéter Azul Cerúleo, em que Miranda explica como a moda influencia até quem não gosta de moda, chamou minha atenção, trazendo uma visão diferente sobre a moda.
Comecei a pensar sobre como a moda pode alcançar diferentes lugares, não relacionado ao filme em si, mas todos podemos ter acesso à moda de alguma forma, mesmo não sendo a moda de luxo ou com qualidade de fabricação das peças. Um grande exemplo é a moda do funk, é um estilo que nasceu nas periferias com todo o contexto musical e de vida, mostrando que a moda pode estar em todo lugar.
Mas quem tem poder de gerir o mercado da moda e o mundo percebeu a influência que a moda tem de diferentes maneiras, então utilizou a moda como um veículo de controle social, monetário e de estética padronizada, isso matou a moda.
A moda é usada como uma forma de diferenciar classes sociais pela qualidade e exclusividade, isso vem sendo usado há décadas, basta acompanhar um pouco de história.
A moda é lucrativa, isso é um fato inegável, então os fast fashion e Ultra-fast fashion são uma ótima maneira de ganhar dinheiro rápido e com uma qualidade baixa, assim trazendo a sensação de inserção na moda para pessoas com poucos recursos financeiros e massificando tendências.
As tendências de moda e estética que ditam o que as pessoas devem usar a todo momento acabam criando pessoas que se vestem iguais, somente por uma onda. Mas o que eu acho mais pavoroso é que, quando algo explode muito, acaba sendo adotado em outros nichos, marcas realizando rebranding para uma estética sóbria e séria, como no minimalismo.
A moda foi morta a partir do momento em que somente o dinheiro tomou o espaço de decisão e perceberam que uma fórmula pronta era a grande revolução. Podemos ir para outros setores onde esses dois pontos estão comandando também, setor de beleza, as redes sociais, plásticas excessivas, a música que parece sempre ser a mesma coisa e há quanto tempo não temos um novo ícone da música?
Observação é uma grande virada de chave para o entendimento.
A criatividade e originalidade seriam um caminho para a resolução desses pontos, mas quando eu falo sobre isso não digo de criar looks ou estilos extravagantes, mas moda com alma, com intenção genuína, mas não com a pura intenção de ser comprovável.
No meu processo de criação, busco sempre trabalhar três pontos:
Unir universos paralelos para criação: Deixe sua mente viajar, precisa abrir a mente e nosso olhar para podermos ver essas possibilidades, então consuma conteúdos opostos, que as pessoas dizem que não têm ligação alguma.
Encontrar o pontos chave sobre esses universos: a pesquisa é essencial para você entender o contexto, a história, o significado, para depois você realmente conseguir encontrar os pontos chave, mas escolha algo que faça sentido para você dentro do seu projeto.
Buscar referências em qualquer âmbito: as referências podem vir de lugares inusitados, ainda mais quando vivemos em uma sociedade no cabresto, então se permita, antes de julgar. Assim, mantenho minhas criações próximas a quem eu sou e o que de fato eu quero acreditar, mas não foi um processo rápido e fácil, não deixo mais vozes externas falarem, somente a minha.
O filme me fez refletir sobre todos esses pontos, analisando os looks, você consegue ver vida nas roupas e não uma reprodução em massa de mais do mesmo. Fazer moda por amor à criação e criatividade, não ignorando as vendas, mantendo a essência do que de fato é a moda. A moda é versátil, cabendo em vários contextos, não sendo originalmente desses contextos, isso é muito poderoso.
Observem a moda como era há 25 anos e comparem com esse momento, mas como a moda é um reflexo de muitas coisas, podemos dizer que nós, humanos, estamos vazios também?
A moda, em sua maioria, hoje é sem alma.


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